Políticos já se admitem ”dependentes” do Twitter

Difícil encontrar entre os políticos mais influentes do país um que não defenda o uso do Twitter. Os três presidenciáveis que ocupam as primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto são twitteiros frequentes. Políticos da oposição e do governo ouvidos pelo G1 afirmam que a ferramenta aproxima os eleitos dos seus eleitores e também dá origem a boas polêmicas.

O exemplo mais recente culminou em crise na escolha do vice de José Serra (PSDB). O nome do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) foi anunciado por uma mensagem postada no microblog pelo ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB. O anúncio gerou um conflito entre os aliados PSDB e DEM, que reivindicava o posto. Após quase uma semana de negociações, um acordo levou à indicação do deputado Indio da Costa (DEM-RJ).

“O Twitter e toda a internet efetivamente estão mudando os hábitos políticos”, define o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. “As pessoas têm que começar a entender essas novas redes”, disse o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, para quem a mensagem polêmica de Jefferson foi fruto de “precipitação”.

O presidente do PSDB procura não sobrevalorizar o episódio e lembra que Jefferson ‘twittou’ enquanto fazia uma viagem de moto com amigos. Guerra diz que é um twitteiro pouco ativo e disse não se incomodar com as brincadeiras e provocações típicas da rede.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado federal Ricardo Berzoini (PT) estão entre os governistas que costumam fazer piadas com os tucanos.

“Os dois são simpáticos, mas são desprovidos do senso de humor”, rebate Guerra, afirmando que não se incomoda com as provocações. “O que não está certo é agredir ou caluniar o adversário”, disse o presidente do PSDB.

Dutra alerta que usa a ferramenta como “pessoa física” e que realmente não descarta o bom humor. “Se a gente transformar o Twitter em uma ‘Hora do Brasil’, vai perder a graça”, disse. “Eu sempre prefiro usar o bom humor. Infelizmente, tem pessoas que entram para fazer baixaria, tem de todos os lados, não estou partidarizando.”

O presidente do PT lembra que também tem seus momentos sérios e que se viciou na ferramenta. “Já tive momentos de crise de abstinência, em que ficava louco para chegar em casa e ver o que estava acontecendo.”

A frase acima foi twittada pela veradora de São Paulo Mara Gabrilli (PSDB), segundo os registros do Twitter às 10h28 de quinta-feira (24). A polêmica foi imediata. Hostilizada, a tucana foi chamada de preconceituosa e tentou se explicar para os seguidores. “As pessoas viram pré-conceito e coisas que eu não consigo ver”, disse.

Mara, que é cadeirante, será candidata a deputada federal com a bandeira da defesa dos portadores de necessidades especiais. Ela nega preconceito em relação à petista, diz que apenas queria saber a opinião de seus seguidores e respondeu indiretamente sua própria pergunta.

“Desconheço a Dilma em profundidade para responder se deixaria ou não.” Independentemente das críticas que recebeu, Mara garante que vai seguir postando suas mensagens. “Você tem uma ideia e em segundos milhares de pessoas podem saber”, define.

A primeira polêmica política no Twiitter envolveu o senador Aloizio Mercadante (PT). Em meio a uma crise na relação do PT com o PMDB, ele anunciou que renunciaria em caráter irrevogável à liderança do partido, mas foi dissuadido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, a rede de microblog se tranformou em uma espécie de tribuna paralela entre os senadores.

Em maio, foi a vez de o deputado Capitão Assumção (PSB) entrar na lista das celebridades na rede, após tornar públicas, via Twitter, informações de uma reunião de líderes da Câmara dos Deputados.

Vice-presidente nacional do DEM, o deputado federal Ronaldo Caiado (GO) é outro que integra o grupo dos que não abrem mão de twittar. Na quarta-feira (30), durante a convenção estadual do partido em Goiás, Caiado ficou narrando aos seus seguidores o que ocorria no encontro. Na quinta-feira (1), reuniu sua equipe de comunicação para avaliar o resultado das twittadas. Das 14h45 do dia 30 até as 7h36 da quinta-feira, Caiado recebeu 631 manifestação de seguidores.

“É algo que ninguém podia imaginar que teria uma interação tão grande. Foi a coisa mais bem bolada do mundo”, diz o deputado.

Ele afirma que ainda não contabilizou quantos minutos por dia fica ligado ao Twitter, mas conta que já recebeu até um “puxão de orelha” da sua esposa. “Minha mulher já chamou a atenção para que eu não fosse deselegante. Procuro não twittar em reuniões, jantares, ambientes assim”, afirma.

Na análise do professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, os políticos procuram no twitter os formadores de opinião, e não o eleitorado. O professor é um dos que defende o uso da ferramenta, desde que haja bom senso por parte do político.

“Se não houver um cuidado, vai chegar uma hora em que vão colocar detectores de metal na porta das reuniões. Eu mesmo já vi senador completamente desatento para o que ocorria na sessão porque estava mais preocupado em twittar do que saber mais detalhes dos discursos. É preciso cautela e sangue frio para que o twitter não se torne um inimigo do político”, avalia o professor.

Cautela é o que o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) diz que procura ter ao tratar com a ferramenta. O deputado diz que não utiliza internet pelo celular para evitar postagens que possam ser interpretadas de maneira equivocada.

“Eu comparo o Twitter como um microfone em praça pública. Tem de pensar muito bem antes de twittar. Às vezes, quando estou muito irritado, penso, respiro, e depois twiito. Às vezes fico um dia todo sem twiitar”, afirmou.

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